segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ceviche de Robalo


Bom gente, todo mundo sabe que há milênios o ato de sentar-se à mesa envolve não só a necessidade de saciar a fome como a confraternização entre as pessoas. Nesse sentido, uma das principais vantagens em aprender a cozinhar é poder agregar à nossa mesa e aos animados e constantes papos regados à cerveja e vinho, a degustação de comidinhas que enchem nossos convidados de sorrisos e satisfação. Receber os amigos e tentar agradá-los com simplicidade e sabor tem sido um dos nossos passatempos preferidos nos últimos anos. Segue uma receitinha de entrada, um ceviche peruana, que aprendemos aqui em São Paulo e que é super-rápida. Para aquele dia em que não se quer ter muito trabalho mas também quer dar umas férias para os velhos amendoins japoneses. Se divirtam!




Ceviche de Robalo

Serve 8 pessoas

400 g de filé de robalo sem pele
1 pimentão amarelo
1 cebola roxa grande
2 tomates médios
Suco de três limões tahiti
Gotas de Tabasco
Um fio de azeite
Salsa, coentro e cebolinha (o quanto baste)

Preparo:

Corte o peixe, o pimentão, os tomates e a cebola em julienne. (tirinhas finas) e misture tudo. Pique as ervas finamentes, até quase virarem um pó. Vinte e cinco minutos antes de servir, agregue o suco de limão, o tabasco, o azeite e as ervas na mistura de peixe. Passado o tempo, sirva acompanhado de pães e/ou tortillas maxicanas (totopos).



Coluna no O POVO.
E esse ceviche já chegou estreiando na nossa 3a coluna no jornal O POVO, no caderno Buchicho de 24/06. Pra quem quiser conferir...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Resultado do post anterior e o famoso “Arroz de Carneiro à Baalbek”.



Bom, pra todos que fizeram suas apostas, vamos ao resultado:

Leo - filé com o rösti de mandioquinha.
Bia - filé com gateau e chips de mandioquinha.

Democraticamente, como o dela - além de mais bonito - ficou mais gostoso pela combinação das texturas, mandamos o dela. Obrigado Edu Luz, Vanessa, Fabrícia, Preta, Veio, Pedro Guerra, Flávia e Ana pela participação.

Agora vou colocar aqui minha recomendação de um restaurante genial que descobrimos no jardins, graças ao amigo André Godoi, que me levou lá nos tempos de Loducca. O Baalbek é uma casa de comida libanesa que fica na Alameda Lorena, 1330, logo depois da Ministro Rocha de Azevedo. Para os desatentos, são 4 mesinhas na calçada e uma portinha, bem ao lado de uma farmácia de podologia, do lado direito. E o mais impressionante é que, o que tem de simples e barato, tem de bom. A dona vem pessoalmente à mesa tirar seu pedido e oferecer a melhor entrada de coalhada / homus que eu já comi na vida, além do seu tradicional arroz de carneiro(quando chegar, reserve logo o seu enquanto prova as entradas). Comemos algumas vezes lá também com os amigos Marco Aurélio e Amintas, que presenciaram a minha conversa com a Bia para decifrar a receita. Fomos passando por todos os ingredientes: pimenta síria, canela, hortelã...mas faltava algo. O gosto principal, uma capinha branca “queimadinha” que revestia os pedaços desfiados do pernil de carneiro. A discussão foi longa até que a própria dona veio e disse que estava mais perto do que nós pensávamos. E revelou, depois de algum suspense, que era molho de gergelim. Sim, semelhante àquela garrafinha que estava ali, sobre a mesa, só que eles fazem na própria casa. Como não sabemos o resto da receita, tivemos que adivinhar. Dito isso, fica aqui a nossa homenagem ao restaurante “árabe” que mais gostamos em São Paulo. Quem se aventura a viajar pelo oriente médio?




Arroz de carneiro à Baalbek.

Nível: médio
Rendimento: 4 pessoas

Ingredientes


1 Pernil de carneiro
5 dentes de alho inteiros
300 ml de vinto branco seco
200 ml de caldo de legumes
Alecrim
Tomilho
Sal
Pimenta do reino
Molho de gergelim.

300g de carne moída
3 copos de arroz
Pimenta síria
Canela
Hortelã picada
20g de piñoles tostados

Esse “carneiro” era o resto do pernil de cordeiro que foi feito no Natal. Fiz a receita com as sobras, no dia seguinte. Como eu disse antes, é um misto das receitas de paleta de cordeiro do Jamie Oliver com a do Alex Atala. Coloque o pernil e todos os ingredientes da primeira parte em uma assadeira e cubra com papel alumínio. Deixe marinar por 12 horas, virando de vez em quando. Aqueça o forno na máxima potência e, quando estiver bem quente, baixe a 180˚C. Coloque o pernil com o papel alumínio para assar por aproximadamente 3 horas, virando de hora em hora e regando com a marinada. Depois, por mais 1 hora sem o papel alumínio e pronto.

Espere amornar e desfie em lascas grandes. Agora regue bem as lascas com bastante molho de gergelim e dê uma puxada na frigideira bem quente. O molho vai criar uma “casquinha” dourada em volta da carne.

De resto, refogue a carne moída e tampe para que solte todo seu caldo. Adicione arroz branco, tempere com sal, pimenta síria e canela a gosto. À medida que for secando, vá completando com água, sem mexer, até que fique no ponto. Misture o arroz com um 1 colher de sopa de molho de gergelim, os piñoles tostados, 1 colher de sopa de hortelã picada e jogue as lascas de carneiro por cima. Boa viagem.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Filés ao tradicional molho Bearnaise - duas versões

Moçada, está prestes a entrar na semana da FISPAL 2009, uma das maiores feiras de Food Service do país. Vai acontecer agora em junho, do dia 15 ao dia 18, aqui São Paulo. Dentre as mil coisas que se tem pra ver lá, ocorre simultâneamente um concurso promovido pelo Chef Laureant Suaudeau chamado Gourmet Show. Nesse ano o formato é meio reality show, engraçado até. Imaginem? Esquema de ficar num hotel, pensar num prato, sair pra fazer compras no Mercadão e depois executar a produção na frente de uma comissão julgadora. Tipo Top Chef (SONY), lembram? Pois é... e eu me inscrevi. Não sei quando sai o resultado, nem se eu tenho chances, mas foi legal pensar nas receitas, treinar as fichas técnicas e tal. No regulamento pedia duas receitas: um prato principal de medalhão de filé ao molho bearnaise e uma sobremesa com goiaba. Numa noite, eu e o Leo fizemos um "brainstorm" aqui e bolamos duas receitas para o prato principal. A sobremesa eu posto depois. Por enquanto seguem as fotos dos filés.

A brincadeira é a seguinte:

- qual vocês acham que nós mandamos?
- qual filé é o meu e qual é o do Leo?


Filé ao bearnaise com rösti de mandioquinha



Filé ao bearnaise com gateau e chips de mandioquinha

sábado, 30 de maio de 2009

Entradinha tecnoemocional: Shot de foie gras com redução de frutas vermelhas e espuma de parmesão.




Quando eu fiz os bolinhos de tapioca com queijo coalho do Rodrigo Oliveira, disse que era o ponto mais alto que a baixa gastronomia conseguia chegar. E continuo achando.

Mas pensando o que fazer para uma ocasião mais especial, lembrei de uma entradinha que provei no Prazeres da Mesa no ano passado. Na época, um chef espanhol me serviu um copinho com uma emulsão de foie gras e espuma de queijo. Aproveitando o kit de “pozinhos mágicos” que o Kaká da Gastronomylab me mandou, resolvi testar o prato em casa. O Joel Robuchon também serve algo parecido no restaurante dele, que ele chama de Parfait de Foie Gras. A versão dele usa uma redução de vinho do porto branco. Já testei com vinho do porto tinto e também fica sensacional.

Nesta versão, usei uma redução de um vinho tinto e um pouco de geléia de frutas vermelhas. Foi uma gostosa brincadeira explorar as texturas.

Segue então a receita deste amuse bouche que já foi aprovado por alguns amigos e com certeza entrará no cardápio de alguns jantares aqui em casa. Na minha opinião, esta entradinha tem o mesmo e único defeito do Todynho: acaba.


Rendimento; 6 pessoas
Dificuldade: médio/difícil


100g de terrine de foie gras
150ml de creme de leite fresco
2 colheres de sopa de geleia de frutas vermelhas
200ml de um bom vinho tinto seco
200g de parmesão ralado na hora
200 ml de água
2g de lecitina de soja

Coloquei que a execução dessa entrada é médio/difícil por causa da dificuldade de achar alguns ingredients. O foie gras, por exemplo. Aqui em Sampa, tem o próprio figado in natura na Santa Luzia, a preços que condizem com o charme da iguaria. Já as terrines são mais fáceis de achar, são bem saborosas e resolveram bem o caso aqui. Comprei esta terrine no mercadão, por um preço bastante acessível. Sem contar que usar a terrine tornou o projeto viável, uma vez que o chef espanhol estava usando um aparelho similar ao Thermomix (uma "batedeira" por indução de 5 mil reais) para processar seu foie gras de verdade.

Mousse de foie gras
Esquente o crème de leite pasteurizado sem deixar ferver. Adicione o pedaço de terrine de foie gras e mexa até que ele “derreta” por completo. A textura desejada é de um líquido muito encorpado, aveludado.

Redução de vinto e frutas vermelhas.

Leve os dois ingredients a uma panela e esquente, mexendo sempre, até que a geléia se dissolva por completo. Depois, deixe reduzir até engrosar, com a textura de mel.

Espuma de parmesão.
Tem gente que não gosta ou não simpatiza com as espumas. Eu acredito que, na cozinha, temos que estar com a cabeça aberta. Prove. Não gostou, Ok. Não coma mais. Mas temos que saber qual é. Suco de abacaxi batido no liquidificador tem espuma de abacaxi em cima (aliás, foi assim que o Ferran teve o estalo e criou as famosas espumas). Capuccino tem espuma de leite em cima. É algo que estamos acostumados, só não olhamos da mesma maneira. Técnicas da cozinha tecnoemocional podem, sim, ser usadas para gerar experiências diferentes. É só saber dosar.

Pra quem não sabe, lecitina de soja é um poderoso emulsificante. É um pó que vende em algumas lojas de produtos naturais (compre em pó, não aquelas cápsulas parecidas com vitaminas). Basicamente o que ela faz é misturar moléculas de ar e gordura. Tipo quando você bate claras em neve. Só que a clara tem proteínas que facilitam a formação de bolhas, por isso emulsiona fácil. Quando um liquido simplesmente não tem esse poder, a lecitina faz todo o trabalho, deixando esta emulsão estável por bastante tempo.

Importante: compre bons ingredientes. Rale na hora o melhor parmesão que você encontrar. Um prato especial não combina com parmesão de saquinho.

Leve a água ao fogo e deixe ferver. Adicione o queijo aos poucos, mexendo sempre, até que ele esteja completamente derretido. Desligue o fogo e tampe por 10 minutos. Agora escorra e reserve a água infusionada de parmesão. É com ela que você vai fazer a espuma.

Em um bowl fundo, coloque a “água de parmesão” e a lecitina. Se você tiver um mixer de mão, coloque a boca dele metade dentro da água e metade fora, para ajudar a adicionar o ar. Bata até formar bastante espuma. Funciona também com um fouet (batedor de mão), só que não cria tanta espuma.

Agora é só servir.

Para não sujar as paredes dos copinhos de shot, eu uso bisnagas para decorar prato. Tipo aquelas de ketchup e maionese. Mas você também pode colocar com uma colher, com bastante cuidado.

Coloque uma camada rasinha da redução de frutas vermelhas. Cuidadosamente, coloque por cima o mousse de foie morno. É importante que a redução esteja bem viscose para que não misture com o mousse nessa hora. Agora use um garfo ou colher furada para pegar a espuma sem trazer junto o líquido. Coloque por cima do mousse e sirva. A idéia é que a pessoa coma com uma colherzinha, pegando desde a redução do fundo até a espuma, em cima, misturando a cada colherada.

Estão servidos?

terça-feira, 26 de maio de 2009

Saladinha de Verão (no inverno?)

A gente precisava de uma entradinha para compor a coluna que vai sair amanhã no Jornal O POVO. A segunda edição escrita por nós, depois colocamos o link tá?! O Leo se encarregou da receita principal e eu tinha que surgir aí com algo levinho e rápido. Foi então que eu pensei numa misturinha (bacon, damasco e maçã) que aprendi na VINO! e adaptei para uma salada o que lá eles servem com polenta mole e molho rôti. Achei ela tão colorida, com uma cara de verão. Sei que estamos entrando no inverno, mas e daí?! No dia que eu fiz estava super quente. Acho que isso justifica, né? Segue a receita:



Saladinha de Verão

Serve 4 pessoas

Ingredientes:
100g de bacon
7 un. de damasco seco
1 maçã
200g de mix de folhas (alface americana, lisa, radichio, etc. - alguns vêm prontinhos e higienizados)
50g de minirúcula
12 Tomates cereja
Sal q.b.
Pimenta do reino q.b.

Para o vinagrete:
2 col. de mostarda dijon com sementes
1 col. de mel ou melaço de cana
Suco de 1 limão pequeno
4 col. de azeite extravirgem

Parmesão ralado q.b. para a telha

Preparo:
É rapidinho gente. Picar o bacon, os damascos secos e a maçã (descascada) em cubos pequenos. Colocar o bacon numa frigideira e e fritar até ficar bem crocante. Juntar o damasco e a maçã, envolver na gordura do bacon e cozinhar um pouco. Tempere as folhas com sal, pimenta do reino e azeite (apenas na hora de servir), acrescente o preparo com o bacon e misture bem. Sirva com tomates cerejas cortados em quatro. Jogue o vinagrete* por cima da salada. O charme final fica por conta da telha de parmesão (é só ralar e colocar pra derreter em fogo baixo numa frigideira antiaderente, deixando até secar e endurecer. A primeira telha não sai tão fácil, mas da segunda em diante é tranquilo. Molde ela ainda quente se quiser uma onda como na foto.

*Para o vinagrete, misture bem os ingredientes, exceto o azeite, com um fouet. Vá despejando o azeite em fio, sempre mexendo, até emulsionar.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Bolinho de Tapioca e queijo coalho.




É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que o blog está meio abandonado. Prometemos voltar com força total em breve e com novidades. Por enquanto, vou postar uma receita que o Chef Rodrigo Oliveira (do Mocotó) me mandou por e-mail quando fiz o menu degustação de coalho.

Para quem andava reclamando que o Trivial estava muito Nem Tanto, essa é quase tão fácil quanto fazer gelo, hehehe. Mas não se engane, faz tanto sucesso que eu costumo dizer que esta entradinha é o ponto mais alto da baixa gastronomia, se bem que é um absurdo chamar o que aquele cara faz de baixa gastronomia.

Nível: facílimo
Rendimento: Entrada pra 6 pessoas.


Ingredientes (
receita original)

500g de tapioca granulada
500g de queijo coalho ralado
1 litro de leite bem quente
50g de manteiga
18 g de sal
1 pitada de pimenta do reino branca.



Modo de fazer.

Eu costumo fazer metade da receita. Se você não conseguir achar queijo coalho a granel, compre aqueles espetinhos pra churrasco que dá certo. Retire os espetos (claro) e rale os 250 gramas do queijo. Junte com a tapioca e misture. Eu costumo diluir o sal e a manteiga no leite quente, para distribuir melhor. Depois é só derramar o leite quase fervente sobre a mistura para hidratar. Coloque em uma travessa quadrada e deixe esfriar. Vai virar uma espécie de “bolo” de tapioca. Guarde na geladeira por algumas horas. Depois é só cortar em cubos e fritar por imersão em óleo quente a 180ºC. Sirva quente com molho de pimenta Sweet Chilli.

Ps: A tapioca granulada é diferente da goma de tapioca. Mais parecem bolinhas pequenas de isopor. Procure a que tiver as bolinhas menores. Em Fortaleza deve ser fácil achar. Em Sampa, tem na Casa das Mandiocas, ali naquele mercadinho horti-fruti menor em frente ao Mercadão.


Ps2: O molho sweet Chilli Bluee Dragon você encontra no Pão de Açúcar, na versão original, com manga e com abacaxi.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Tilápia com purê de batata roxa


Foi lá na Braverie, através do Chef Marcelo Ozi, que me foi apresentada a “belezura” e o sabor da batata roxa. Ela é simplesmente uma batata-doce, mas tem uma cor INCRIVEL!! Dá outro astral para um prato simples como esse. Mesmo aqui em São Paulo ela não é tão fácil de achar. Encontramos com freqüência naquele mercado mais simples de horti-fruti da rua da Cantareira, em frente ao Mercadão. Segue a receita.

Tilápia com purê de batata roxa

Ingredientes:

2 batatas roxas (pode substituir por batata doce normal, só não vai ter o lance da cor diferente no prato, mas o sabor é praticamente o mesmo)
¼ de xícara de manteiga
2 col. De sopa de melaço de cana (ou mel)
Suco de meio limão siciliano
1 xic. de shoyu
½ xícara de azeite
1 col. de chá de açúcar
Sal q.b.
Pimenta do reino q.b.
Gengibre em pó q.b.
100g de cogumelo paris
1/2 xic. de castanhas de caju
salsinha picada q.b.
manteiga q.b.
2 filés de tilápia com pele (mas já fiz com anchova e ficou bom)

Preparo;

Purê:
Cozinhe as batatas com casca até ficarem macias. Escorra, esprema e passe por uma paneira para ficar tem pedacinhos. Coloque a manteiga e acerte os temperos (sal e pimenta). Pouco antes de servir, coloque o purê no liquidificador, ligue e vá despejando o azeite em fio. O Purê vai emulsionar e ficar com uma textura mais leve e aerada.
Molho:
Para o molho coloque num panela pequena o melaço, o limão, o shoyu, o açúcar e o gengibre em pó e deixe reduzir até que as bolhas de fervura fiquem um pouco lentas.
Peixe:
Tempere o peixe com sal e pimenta do reino. Aqueça uma frigideira antiaderente com um fio de azeite e sele o peixe começando pelo lado da pele. Deixe tempo suficiente para que a pele fique bem crocante. Depois vire.
Cogumelos:
Fatie os cogumelos finamente. Separe as castanhas na metade. Aqueça um pouco de manteiga numa frigideira e coloque os cogumelos até que eles murchem um pouco. Adicione as castanhas. Acerte o sal. Apague o fogo e coloque a salsinha.
Montagem:
Faça uma cama com o purê, coloque o peixe com a pele virada pra cima e passe fios do molho por cima da pele e ao redor do purê. Coloque a saladinha de cogumelos ao lado e sirva imediatamente.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Trivial no Ceará.

O Trivial está cheio de novidades. São tantas que esse post vai ser escrito a dois, metade por mim, metade pela Bia. Aliás, a tendência é que nosso trabalho (vamos chamar assim) aconteça cada vez mais a quatro mãos.


Leo:

Bom, pra quem não entendeu a fotinha ali do lado, com nós dois vestidos de pasteleiros, deixa eu explicar. Nosso grande amigo, Émerson Maranhão, é editor executivo do melhor jornal do Ceará, O POVO. Ele nos convidou para escrever para o suplemento de cultura e entretenimento do jornal, o Buchicho. A coluna Dica do Chef será semanal e será dividida por 3 chefs (esses são chefs mesmo) e um casal de blogueiros/cozinheiros/intrometidos. Ficamos então com uma coluna por mês, o que é genial. Bom, a foto era pra coluna e nós estreamos hoje.

Ficamos muito felizes com o convite, de verdade. Só mostra que a brincadeira tá rendendo e ficando séria. É um reconhecimento pelo nosso esforço para não queimar tudo que vai à panela. Sinceramente, agradeço a todo mundo que visita o blog por isso. É com o incentivo de vocês que a gente se puxa mais.

Valeu galera.

Agora tem outra novidade, mas é a Bia que vai contar.

Bia:

Num é que saiu? E olha como ficou linda! Recebemos esse convite no ano passado e desde então começou uma expectativa enorme que essa coluna se concretizasse. E está aí, enfim, nossas receitas no MELHOR jornal do Ceará. Obrigada ao jornal O POVO, ao Maranhão, por nos proporcionar tal honra. E acreditem, fazer parte de uma coluna de gastronomia em Fortaleza é simbolicamente importantíssimo pra mim, que morro de saudades do Ceará. Entre os leitores estão amigos, familiares, colegas de escola, da UECE. Vão dizer: “Mas essa não é a Bia? E agora ela cozinha? Isso é novidade!” Muito legal o fato de estarmos escrevendo pra “casa”. E é isso: para o Ceará, um pouco da gente mensalmente através do jornal e sempre aqui pelo blog para quem quiser.

Novidade?
Bom, nem sei se é uma novidade já que as coisas tomaram um rumo incerto agora. Eu saí da Braverie em busca de novas experiências e não é que eu achei?! Andei trabalhando com uma pessoa incrível chamada Bel Coelho, a maioria de vocês já deve ter ouvido falar nela. Estivemos juntas por duas semanas. Eu, Bel, a sub-chef Ana e a chef Carol Figueiredo, que faz parte da consulturia contratada para atender o Dui, o novo restaurante da Bel. Quatro meninas, cozinhando, dando risadas, tirando fotos dos pratos. Foi isso! Experimentamos o cardápio inteiro, pesamos tudo para as fichas técnicas e, principalmente, nos divertimos do começo ao fim. E, por enquanto, para mim acabou. O Dui vai abrir só à noite por um tempo e eu estou na faculdade nesse período. Pena! Diz ela que quando abrir de manhã, o que não deve demorar, eu estou dentro (oba!).

Eis a nossa estreia no jornal O POVO.




Ps: O Trivial já tinha aparecido numa matéria para uma revista do jornal, que você pode conferir clicando aqui.

Ps2: Para quem quiser conhecer o Buchicho, clique aqui.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Bacalhau ao Pil-pil e pasta de azeitonas pretas.




Bacalhau ao molho Pil-pil ou Bacalao al Pil-pil, como se diz no País Basco, é uma receita tradicionalíssima dessa região espanhola. É um prato bem rústico, porém com o gosto delicado e "potencializado" de bacalhau e azeite. Explico porque: o molho pil-pil, amarelinho, é feito com uma emulsão do azeite onde o bacalhau é cozido e da gelatina que se solta da pele do peixe. E é isso, nada mais que isso. É mais simples do que parece e o resultado é sensacional.

Este prato foi feito no domingo de Páscoa, e almoçamos eu, a Bia e a grande amiga Val.


Nível: fácil
Rendimento: 2 pessoas


Ingredientes
2 pedaços grandes de lombo de bacalhau dessalgado com pele
2 dentes de alho em fatias finas
1 pedaço de chilli seco
500 ml de azeite extra-virgem para confitar
2 colheres de sopa de azeite extravirgem
300g de azeitonas pretas
Sal
Pimenta do reino


Preparo

Pra este prato, o ideal é que você compre lombo de bacalhau dessalgado. Existem marcas que vendem ele congelado, já em nos supermercados. Eu comprei no Mercadão, na barraca do seu Renato, onde geralmente compramos nossos frutos do mar. Ele tinha um bom pedaço de peixe com pele. Detalhe: TEM QUE SER COM PELE. Acho que pode ser feito com bacalhau seco demolhado, mas acredito que, quanto mais fresco, melhor o resultado. Aliás, este prato leva basicamente bacalhau e azeite. É muito importante que estes sejam os melhores possíveis. Dito isso, corte os pedaços do seu lombo de bacalhau em filés do tamanho da palma da sua mão. Coloque papel toalha para retirar qualquer resquício de água. Prove um pedacinho da carne para ver se não há registro de sal. Se estiver completamente dessalgado, tempere apenas com sal antes de colocar na panela.

Corte o alho em fatias finas. Esquente o azeite, tomando cuidado para não ultrapassar os 70-80oC. Frite o alho e um pedaço de uns 2 cm da pimenta chilli seca (ou outra pimenta de sua preferência, sem as sementes). Quando o alho dourar, retire com uma escumadeira ou colher e desligue o fogo. Quando o azeite estiver apenas morno, ligue o fogo bem baixo e coloque os pedaços de bacalhau com a pele virada para cima, para confitar (confitar = cozinhar lentamente em gordura, nesse caso, no azeite). Deixe cozinhar assim por uns 3 minutos e vire cuidadosamente com uma espatula. Deixe por aproximadamente 7 minutos com a pele para baixo, fazendo movimentos suaves com a panela, para que a pele solte a sua gelatina. Quando completar 10 minutos de cozimento total (3+7), retire o bacalhau e reserve. Desligue o fogo e deixe esfriar completamente o azeite.

Com uma peneirinha de aço, faça movimentos rápidos em uma região do fundo da panela (melhor não usar panelas de teflon, por motivos óbvios). Quando emulsionar e estiver parecendo uma maionese, vá para outra área da panela e faça assim até que o molho esteja todo montado. Ligue o fogo baixíssimo para esquentar o bacalhau, sem deixar subir demais a temperatura, senão o pil-pil desanda.

Separadamente, triture as azeitonas pretas sem caroço com 2 colheres de sopa de azeite e um pouco de pimenta do reino.

Para empratar, coloque o bacalhau no centro do prato, cubra com o molho pil-pil e decore com os alhos fritos. Sirva uma colher de pasta de azeitonas pretas ao lado.

Tem outra receita de bacalhau no blog, mas é ao estilo português.

Bom apetite.


Ps: na maioria das receitas de pil-pil, o peixe é servido sozinho. Eu servi com pequenas batatinhas assadas no forno, dentro de papel aluminio com sal grosso e azeite, por 50 minutos.

Ps2: Caso você queira ver na prática como se faz o legítimo Bacalao al Pil-pil, veja ESTE VIDEO, em espanhol.

sábado, 18 de abril de 2009

Espaguete com Ragú de músculo

Alguns sabem que eu andei meio sumida do blog porque apareceu um trabalhinho aí massa nas últimas semanas. Depois conto com calma como foi. Num dia desses mais tranquilos saiu esse macarrão que eu achei bem bom. Segue então uma receita que é super fácil de fazer já que andamos recebendo umas "críticas" amigas de que o Trivial não andava nada trivial na hora de por em prática. Espero que gostem.

Espaguete com ragú de músculo

Rendimento: serve 4 pessoas
Nível: juntar tudo e colocar na panela! Tem umas besteirinhas, mas é tudo simples vai?!

Ingredientes:

1 kg de músculo
Farinha de trigo q.b.
Manteiga q.b.
Azeite q.b.
2 dentes de alho picado
1 cenoura grande cortada em cubinhos
1 cebola picada
1 talo de alho-poro pequeno cortado em rodelas
1 talo pequeno de salsão
2 tomates, sem pele e sem sementes cortado em cubos
1 lata de extrato de tomate
1 xícara de vinho tinto
Água q.b.
Sal q.b.
Pimenta do reino q.b.
1 folha de louro
Ervas (tomilho, alecrim, salsa) picadas q.b.
1 pacote de macarrão (espaguete)

Preparo:

Passe os pedaços de carne na farinha de trigo. Aqueça a manteiga e o azeite numa panela de pressão e sele a carne de todos os lados e reserve. Na mesma panela, coloque o mirepoix (cebola, cenoura, alho, alho-poro, salsão) para suar por uns 5 minutos. Acrescente o tomate e envolva e depois o extrato. Deixe secar um pouco até que começar a grudar no fundo da panela. Coloque o vinho e deixe evaporar um pouco. Junte a carne e cubra de água. Adicione parte das ervas e a folha de louro e tampe a panela e deixe cozinhar por aproximadamente 1h depois de pegar pressão. Abra e verifique se a carne está macia ao ponto de se desmanchar com um garfo. Se estiver, retire toda a carne, retire a folha de louro e bata o molho no liquidificador. Volte o molho ao fogo para reduzir e engrossar um pouco. Desfie a carne e elimine as gorduras maiores. Volte a carne para a panela do molho. Acerte o sal e a pimenta. Finalize com as ervas, mexa e sirva por cima do espaguete. Se quiser um charme a mais, coloque uns pinoles tostados por cima.